José Stalin: o filho mais controverso da Geórgia
Poucas figuras históricas despertam tanta fascinação e rejeição ao mesmo tempo quanto José Stalin. Nascido como Iósif Vissariónovich Dzhugashvili em 18 de dezembro de 1878 na pequena cidade de Gori, Geórgia, esse filho de sapateiro se tornou um dos líderes mais poderosos — e temidos — do século XX. Para quem viaja à Geórgia, compreender a influência de Stalin é indispensável: sua sombra ainda se projeta sobre a identidade, a política e até o turismo do país caucasiano.
As origens georgianas de Stalin
A infância de Stalin foi marcada pela pobreza e pela violência. Seu pai, Vissarión, era um sapateiro alcoólatra que maltratava a família. Sua mãe, Ekaterina (Keke) Geladze, uma mulher profundamente religiosa, sonhava que seu filho se tornasse sacerdote ortodoxo. Graças aos seus esforços, o jovem Iósif ingressou na escola paroquial de Gori em 1888 e mais tarde obteve uma bolsa para o Seminário Teológico de Tbilisi.
No entanto, o seminário seria o lugar onde Stalin descobriu o marxismo. Em vez de se ordenar sacerdote, começou a ler em segredo as obras de Karl Marx e a se relacionar com grupos revolucionários clandestinos. Em 1899, abandonou — ou foi expulso — do seminário e se lançou de corpo e alma na atividade política.
De revolucionário ao "homem de aço"
O jovem Dzhugashvili adotou o apelido de Stalin, derivado do russo stal (aço), a partir de 1912. Antes disso, era conhecido como "Koba", nome de um herói lendário da literatura georgiana. Durante os primeiros anos do século XX, participou de greves, assaltos a bancos e atividades clandestinas para financiar o partido bolchevique, o que lhe rendeu múltiplas prisões e exílios na Sibéria.
Após o triunfo da Revolução Russa de 1917, Stalin ocupou cargos cada vez mais relevantes. Em 1922, foi nomeado Secretário-Geral do Partido Comunista, um cargo aparentemente burocrático que, no entanto, lhe permitiu controlar as nomeações internas e construir sua própria base de poder. Após a morte de Lenin em 1924, venceu a disputa pela sucessão contra Leon Trotsky, a quem enviou ao exílio e finalmente mandou assassinar no México em 1940.
O regime stalinista: industrialização e terror
Uma vez consolidado no poder, Stalin impulsionou um ambicioso programa de industrialização forçada por meio dos célebres planos quinquenais. A União Soviética passou de ser uma sociedade majoritariamente agrária a se tornar uma potência industrial em apenas duas décadas. Mas o preço humano foi devastador.
A coletivização da agricultura provocou fomes em massa, especialmente na Ucrânia (o Holodomor de 1932-1933), onde milhões de pessoas morreram de inanição. As Grandes Purgas dos anos 1930 eliminaram rivais políticos, militares, intelectuais e cidadãos comuns acusados de traição. Estima-se que entre 20 e 27 milhões de pessoas perderam a vida sob o regime stalinista, vítimas de fomes deliberadas, execuções, trabalhos forçados no sistema de campos de concentração conhecido como Gulag, e a própria Segunda Guerra Mundial.
Stalin e a Segunda Guerra Mundial
Em 1939, Stalin assinou o polêmico pacto de não agressão Molotov-Ribbentrop com a Alemanha nazista, um acordo que não duraria muito. Em junho de 1941, Hitler lançou a Operação Barbarossa e invadiu a União Soviética. Stalin assumiu pessoalmente a direção da guerra e, após anos de enormes sacrifícios — o povo soviético sofreu as maiores perdas humanas de todo o conflito —, o Exército Vermelho conseguiu vencer a Alemanha nazista, entrando em Berlim em maio de 1945.
As conferências de Teerã, Yalta e Potsdam com os líderes aliados estabeleceram a nova ordem mundial do pós-guerra. A União Soviética se tornou superpotência, e a Guerra Fria entre os blocos capitalista e comunista definiria as décadas seguintes.
A morte de Stalin e seu legado
Stalin faleceu em 5 de março de 1953 em sua dácha de Kuntsevo, perto de Moscou, após sofrer uma hemorragia cerebral. Durante várias horas, nenhum médico se atreveu a comparecer sem ser chamado, reflexo do medo que o ditador inspirava até entre seu círculo mais próximo.
Seu sucessor, Nikita Khrushchev, iniciou um processo de desestalinização que denunciou os crimes do regime. O corpo de Stalin, que havia sido embalsamado e colocado ao lado de Lenin, foi retirado do mausoléu em 1961 e enterrado atrás do muro do Kremlin.
O Museu de Stalin em Gori: uma visita imperdível na Geórgia
Para os viajantes que percorrem a Geórgia, a cidade de Gori — a cerca de 90 minutos de carro de Tbilisi — oferece uma experiência única: o Museu Estadual de Stalin, inaugurado em 1957. Este complexo inclui o edifício principal do museu, a humilde casa onde Stalin nasceu e o vagão de trem blindado que ele usou para se deslocar à Conferência de Yalta em 1945.
O museu percorre cronologicamente a vida de Stalin por meio de fotografias, documentos, objetos pessoais e réplicas de seu escritório no Kremlin. Entre as peças mais marcantes estão sua máscara mortuária em bronze, uma coleção de presentes de líderes mundiais e os poemas que escreveu em sua juventude.
A visita é tão fascinante quanto polêmica. Muitos visitantes apontam que a narrativa do museu tende a apresentar uma versão adocicada de Stalin, com escassas referências às atrocidades de seu regime. Após a guerra de 2008 com a Rússia pela Ossétia do Sul — durante a qual Gori foi brevemente ocupada —, foram adicionadas algumas salas dedicadas às vítimas georgianas da repressão stalinista, mas a estrutura original do museu permanece em grande parte intacta.
A entrada ao museu custa aproximadamente 15 GEL (com guia incluído) [VERIFICAR], e as visitas guiadas estão disponíveis em vários idiomas. Recomenda-se combinar a visita a Gori com uma excursão à impressionante cidade rupestre de Uplistsikhe, situada a apenas 10 km.
Stalin na Geórgia de hoje
A relação da Geórgia com seu filho mais famoso é profundamente ambivalente. Para alguns georgianos mais velhos, especialmente em Gori, o fato de um georgiano ter liderado uma superpotência ainda é motivo de certo orgulho. Para as gerações mais jovens e a Geórgia que aspira à integração europeia, Stalin representa um passado do qual o país busca se distanciar.
Em 2010, a estátua de Stalin que presidia a praça central de Gori foi removida e transferida para o recinto do museu. Hoje, a cidade tenta equilibrar a atração turística gerada pela figura de Stalin com uma narrativa mais honesta sobre seu legado. Seja qual for a perspectiva pessoal, visitar Gori e seu museu oferece uma oportunidade extraordinária para refletir sobre uma das figuras mais complexas da história moderna.
Visite Gori com a Iberogeorgia
Na Iberogeorgia organizamos excursões de um dia a partir de Tbilisi que incluem a visita ao Museu de Stalin em Gori, a fortaleza medieval de Gori e a cidade troglodita de Uplistsikhe. Nossos guias lusófonos ajudarão você a compreender o contexto histórico de cada lugar. Consulte nossos tours e viva a Geórgia com profundidade!