Telavi
თელავი
Capital vinícola de Kakheti, entre vinhedos e fortalezas reais no vale do Alazani, onde o vinho é elaborado em jarras de barro há séculos.
Localização no Cáucaso
Descrição
Telavi nota-se tranquila desde o primeiro momento. Depois do barulho de Tbilisi, descer da marshrutka aqui é como tirar os tampões: cerca de vinte mil habitantes, ruas com plátanos enormes a dar sombra e o vale do Alazani a abrir-se em direção ao Grande Cáucaso ao fundo. O centro é compacto e percorre-se a pé em meia hora, entre casas com varandas de madeira restauradas e pátios interiores onde as videiras sobem por arames enferrujados.
O que define o ritmo em Telavi é o vinho. Em quase cada esquina há uma adega familiar ou um bar onde servem vinho âmbar feito em kvevri —jarras de barro enterradas no chão— e no outono o ar cheira a mosto desde os lagares. O bazar junto à estação de autocarros vende churchkhela recém-feita, queijo tushetiano e ervas secas a granel. À tarde, o parque Nadikvari enche-se de famílias que vão sentar-se nos bancos com vista para o vale do Alazani enquanto o sol desce por trás das montanhas.
Não é uma cidade bonita ao estilo de Sighnaghi —há blocos soviéticos, passeios irregulares e alguma obra eterna—, mas funciona bem como base para se mover pela Kakheti: mosteiros medievais, quintas históricas e dezenas de adegas ficam a menos de meia hora de táxi. Quem venha à procura da Kakheti real, sem filtros, encontrará aqui algo mais autêntico do que as aldeias-postal da região.
História
Telavi aparece mencionada já no século II nos mapas de Ptolomeu, com o nome Teleda, derivado da palavra georgiana para ulmeiro. Foi capital do reino de Kakheti-Hereti no século IX e cresceu como nó comercial na órbita da Rota da Seda. No século XVII o rei Archil II transferiu a sua residência desde Gremi e ergueu a fortaleza de Batonis Tsikhe, que hoje continua a ser o edifício mais visível do centro. Sob o rei Erekle II —Heráclio II— a cidade atingiu o seu maior esplendor no século XVIII, antes de passar para as mãos do Império Russo em 1801. Desde então perdeu peso político, mas nunca deixou de ser o coração vinícola da Geórgia oriental.
O que ver e fazer
- Fortaleza de Batonis Tsikhe A fortaleza dos reis kakhetianos, com muralhas espessas do século XVII, um palácio do século XVIII e um museu onde se expõem objetos do reinado de Erekle II. Das torres vê-se todo o vale do Alazani e a cordilheira nevada ao fundo. Abre aproximadamente das 10h às 18h; a entrada ronda os 5 GEL (menos de 2 EUR).
- Plátano milenário Uma árvore de cerca de 900 anos, 46 metros de altura e doze de circunferência, plantada mesmo atrás da fortaleza. Há sempre visitantes a tirar fotografias, mas vale a pena vê-la de perto: a escala é difícil de acreditar até estar debaixo dela.
- Parque Nadikvari Passeio elevado sobre a cidade com um anfiteatro ao ar livre e bancos orientados para o Alazani. Ao pôr do sol, a luz sobre o vale e a silhueta do Cáucaso ao fundo oferece uma das melhores panorâmicas da Kakheti.
- Rua Cholokashvili A rua pedonal mais cuidada de Telavi, com varandas entalhadas e fachadas coloridas que lembram vagamente o sul da Europa. Ideal para passear depois do jantar.
- Adegas do centro Sem sair da cidade pode-se provar vinho em sítios como Dakishvili Wine & Chocolate, um bar subterrâneo com trufas artesanais e saperavi de kvevri. A maioria das adegas familiares recebe visitas sem reserva prévia.
- Igreja de Santa Maria Templo de planta basilical no centro histórico, com um interior austero e uma pequena comunidade ativa. Vale a pena entrar se a porta estiver aberta.
Galeria de fotos















Como chegar
De Tbilisi saem marshrutkas de hora a hora aproximadamente desde a estação de Ortachala e desde Isani/Samgori. O percurso dura cerca de 2-2,5 horas pela autoestrada da Kakheti e custa entre 12 e 15 laris (cerca de 4-5 EUR). Um táxi partilhado desde Isani fica por uns 20 laris por pessoa e demora um pouco menos. De Telavi há ligações em marshrutka para Sighnaghi, Alvani (para subir a Tusheti) e para o vale de Pankisi. Não existe comboio de passageiros para a Kakheti.
Melhor época para visitar
De maio a junho o vale do Alazani está verde e as temperaturas rondam os 22-28 graus. Setembro e outubro são a época da vindima: adegas abertas, cheiro a mosto no ar e luz quente sobre os vinhedos da Kakheti. Julho e agosto ultrapassam os 35 graus com facilidade. O inverno é seco e frio, com vistas desimpedidas para o Cáucaso nevado, embora muitos alojamentos rurais fechem e a paisagem perca cor.
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