O local fora de África onde foram encontrados os hominídeos mais antigos conhecidos, sobre um promontório vulcânico com ruínas medievais no sul da Geórgia.

Localização no Cáucaso

Descrição

O Sítio Arqueológico de Dmanisi não cumpre nenhum critério de destino turístico convencional: a estrada dos últimos quilómetros está cheia de buracos, o Museu in situ de Dmanisi é modesto e as escavações aparecem cobertas com coberturas metálicas de proteção que não ganham nenhum prémio de design. O que faz com que o lugar valha a viagem é a sobreposição de duas histórias radicalmente diferentes sobre o mesmo promontório vulcânico na região de Kvemo Kartli: uma cidade medieval ativa do século VIII ao XIV e, por baixo dela, os ossos de hominídeos que caminharam por este terreno há quase dois milhões de anos.

Os achados de Dmanisi — vários crânios e esqueletos parciais classificados como Homo erectus georgicus — representam a primeira evidência documentada de presença humana fora de África. Os originais estão guardados no Museu Nacional da Geórgia em Tbilisi, mas o sítio tem réplicas, painéis explicativos e a área exata onde foram feitas as descobertas mais importantes. O pessoal local orienta bem a visita se se chegar de manhã.

Sobre o mesmo promontório estende-se a cidade medieval: há troços das muralhas da fortaleza de onde se vê o desfiladeiro, a Catedral de Dmanisi do século XIII de pé mas sem cobertura, e os restos de casas e ruas que formam uma cidade fantasma à beira do precipício onde confluem os rios Mashavera e Pinezauri. A vista sobre os dois vales e a estepe semi-árida que os rodeia tem uma escala que ajuda a entender por que este ponto foi estratégico durante milénios. Ao meio-dia o sol bate forte; as manhãs são melhores.

História

O promontório de Dmanisi acumula camadas de ocupação humana que vão desde a pré-história profunda até à Idade Média. A cidade medieval prosperou entre os séculos VIII e XIV como centro comercial e episcopal dentro do reino da Geórgia, até que as sucessivas invasões mongóis e as campanhas de Tamerlão a deixaram definitivamente despovoada. As escavações arqueológicas iniciadas na década de 1980 procuravam documentar esse passado medieval e encontraram algo inesperado nas camadas inferiores: os restos de Homo erectus georgicus, os hominídeos mais antigos encontrados fora de África, com uma antiguidade de aproximadamente 1,8 milhões de anos. A descoberta reescreveu a cronologia das migrações humanas e colocou Dmanisi no mapa da paleoantropologia mundial.

O que ver e fazer

  • Área de escavações paleontológicas O setor central do sítio onde foram encontrados os crânios de Homo erectus georgicus; coberto com coberturas de proteção e sinalizado com painéis que explicam os achados em contexto geológico.
  • Catedral de Dmanisi Edifício religioso do século XIII ainda de pé, com muros e ábside intactos mas sem cobertura; é o monumento medieval mais reconhecível do recinto e dá escala à cidade que o rodeava.
  • Muralhas da fortaleza O perímetro defensivo do promontório com troços bem conservados; permite caminhar sobre a beira do desfiladeiro e ver a confluência dos rios Mashavera e Pinezauri de cima.
  • Museu in situ de Dmanisi Pequeno museu junto ao sítio com réplicas dos crânios encontrados e material didático; os originais estão no Museu Nacional da Geórgia em Tbilisi. A entrada ronda os 5 GEL (aprox. 2 USD); confirmar preço na bilheteira.
  • Miradouro sobre os desfiladeiros A extremidade do promontório onde confluem os dois rios; a paisagem erodida da região de Kvemo Kartli dá contexto geológico ao ambiente onde viveram os primeiros humanos fora de África.

Galeria de fotos

Como chegar

Dmanisi fica a cerca de 90 km a sudoeste de Tbilisi, perto da cidade de Bolnisi. Não existe transporte público direto ao sítio; o mais prático é alugar carro ou contratar um táxi desde Tbilisi (entre 60 e 80 GEL ida e volta, aprox. 22-30 USD). Desde Bolnisi há táxis locais até ao recinto. A rota pode ser facilmente combinada com uma paragem na Catedral de Bolnisi, que fica no caminho. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional de Tbilisi.

Melhor época para visitar

A primavera (abril-junho) e o outono (setembro-outubro) são as épocas mais confortáveis: temperatura agradável e a paisagem de estepe da região de Kvemo Kartli tem alguma vegetação. O verão é quente e árido; o sítio ao ar livre torna-se muito duro ao meio-dia. No inverno a estrada de acesso pode deteriorar-se após as chuvas. O sítio abre em dias úteis; convém confirmar horários antes de sair de Tbilisi.

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