Shamkir
Şəmkir
Cidade vinícola do oeste do Azerbaijão, com um castelo medieval, adegas em atividade e a barragem do Kura a três horas de Baku.
Localização no Cáucaso
Descrição
Shamkir estende-se pelo vale do rio Shamkir, na planície que se abre entre as últimas encostas do Cáucaso Menor e o curso do Kura. Chegando pela autoestrada desde Baku ou Ganja, a cidade não anuncia nada de especial: blocos de apartamentos da época soviética, uma praça central com fontes e algumas árvores, uma mesquita nova com cúpula azul. Mas quem a procura pela sua história ou pelo vinho chega a saber o que há.
Os arredores de Shamkir são zona de cultivo de vinha há séculos, e nos últimos anos várias adegas começaram a produzir vinhos com denominação própria. O solo arenoso-argiloso do vale de Shamkir e a diferença térmica entre o dia e a noite favorecem castas brancas como o Rkatsiteli e o Pinot Gris. As visitas são possíveis com marcação prévia; não existe infraestrutura de enoturismo espontâneo, por isso é preciso escrever ou telefonar com dias de antecedência.
A norte da cidade, sobre uma colina, restam os vestígios do castelo medieval de Shamkir: muros de tijolo cozido a meio de desmoronar, uma vista aberta sobre o vale e quase nenhuma sinalização. O acesso é livre e o ambiente silencioso. É o tipo de ruína que se visita sem que ninguém cobre nem explique nada, o que tem o seu encanto e a sua frustração em partes iguais. Leva água se fores no verão; a subida é curta mas o sol bate forte na colina.
História
A Shamkir medieval foi um importante nó comercial na rota que unia o Cáucaso com a Pérsia e Bizâncio. A batalha mais recordada ocorreu em 1195, quando o rei georgiano David Soslan derrotou o sultão Abu Bakr perto daqui, um dos choques militares mais significativos do Cáucaso medieval e que consolidou a hegemonia do Reino da Geórgia na região durante décadas. Mais tarde, Shamkir fez parte do Kanato de Ganja. Já no século XX, a construção da barragem de Shamkir sobre o rio Kura durante a época soviética transformou a paisagem dos arredores e inundou zonas de cultivo e pastagem tradicionais.
O que ver e fazer
- Castelo medieval de Shamkir Muros de tijolo cozido sobre uma colina a norte da cidade; sem restauro nem sinalização, mas com uma vista desimpedida do vale de Shamkir que justifica o passeio de quinze minutos desde a estrada.
- Barragem de Shamkir O grande lago artificial sobre o rio Kura, a poucos quilómetros a sul, é ponto de pesca e descanso para os locais. Em tardes de verão a margem enche-se de famílias com mesas dobráveis e mangal.
- Vinhedos do vale As plantações ao longo do rio Shamkir são o pano de fundo constante. Em setembro, com a vindima, os caminhos entre as vinhas cheiram a mosto e os tratores vão carregados de uva Rkatsiteli.
- Mercado central de Shamkir Tem a escala de uma cidade de província: frutas da época, especiarias a granel, roupa e algum posto de artesanato sem pretensões turísticas. De manhã é quando há mais movimento.
- Adegas locais Alguns produtores do vale de Shamkir recebem visitas com marcação prévia. É a forma mais direta de entender a relação entre o solo, o clima e o vinho desta parte do Cáucaso.
Galeria de fotos
Como chegar
Shamkir fica a cerca de 280 km de Baku pela autoestrada M1 a oeste, aproximadamente 3 horas de carro. De Ganja são apenas 45 km e menos de 40 minutos. Há comboios diretos de Baku que param em Shamkir em cerca de 4 horas, e autocarros da estação central de Baku. Para se deslocar pelos arredores — vinhedos, barragem, castelo — convém ter carro próprio ou negociar um táxi local por horas.
Melhor época para visitar
A primavera — abril e maio — é a época mais confortável: entre 15 e 23 graus, os vinhedos do vale de Shamkir em rebentação e o rio com bom caudal. O verão é seco e quente, com máximas de 35–38 graus em julho; a barragem de Shamkir oferece algum alívio. Setembro, com a vindima, dá um carácter especial à paisagem. No inverno as atrações são acessíveis mas o ambiente é cinzento e frio.