Mosteiro de Noravank
Նորավանք
Conjunto monástico do século XIII encaixado num cânion de rocha vermelha em Vayots Dzor, com a igreja de Surb Astvatsatsin como peça central.
Localização no Cáucaso
Descrição
O caminho até o Mosteiro de Noravank já antecipa o que se vai ver: um cânion estreito com paredes de rocha cor de terracota que se elevam dos dois lados da estrada, e no fundo, quase encostado à parede de pedra, o conjunto de igrejas de cor ocre que, à primeira vista, se confunde com o próprio penhasco. O desvio a partir da estrada M-2 (a que liga Erevan a Goris e Nagorno Karabakh) fica perto do vilarejo de Areni, e daí são uns oito quilômetros de pista estreita seguindo o leito seco do rio Amaghu. A luz da tarde, quando o sol bate de lado, torna o contraste entre a pedra talhada e a rocha viva quase teatral.
O núcleo do mosteiro é pequeno: duas igrejas, uma capela lateral e alguns restos de edificações secundárias num espaço recolhido. Não há museus nem lojas dentro do recinto, apenas as igrejas abertas para visita e algumas lápides medievais (khachkars) no chão. O que atrai as pessoas é a igreja de Surb Astvatsatsin, também chamada Burtelashen, com a sua fachada talhada em baixo-relevo e a escada exterior de pedra — sem corrimão — que sobe em ângulo acentuado até o andar superior.
Há um estacionamento gratuito e um posto de souvenirs na entrada do cânion, junto a um pequeno restaurante com vistas para o conjunto. Na alta temporada chegam vários ônibus de excursão por dia e o recinto enche-se de grupos entre as dez da manhã e as duas da tarde. Fora desse horário tem-se o lugar praticamente só, com o som do vento contra a rocha e, às vezes, o dos corvos que nidificam nos penhasco.
História
O Mosteiro de Noravank (em armênio Նորավանք, literalmente mosteiro novo) foi fundado em 1205 pelo bispo Hovhannes como sede episcopal do principado dos Orbelian, a família feudal que controlava Vayots Dzor. A igreja de Surb Karapet foi erguida em 1221-1227 sobre as ruínas de um templo anterior. O arquiteto e escultor Momik, também miniaturista da escola de Gladzor, construiu a igreja de Surb Astvatsatsin entre 1339 e 1340 e está enterrado numa khachkar à entrada. O conjunto foi saqueado por invasores mongóis e timúridas, e um terramoto em 1840 derrubou o tambor de Surb Astvatsatsin. A restauração principal foi concluída entre 1982 e 1998.
O que ver e fazer
- Igreja de Surb Astvatsatsin (Burtelashen) De dois andares, terminada em 1339 por Momik, com a fachada coberta de relevos: um Deus Pai segurando a cabeça de Cristo adulto e, mais abaixo, um Adão e Eva em baixo-relevo ladeando a porta. A escada exterior sem proteção lateral impressiona mais de perto do que nas fotos.
- Igreja de São João Batista (Surb Karapet) A mais antiga do conjunto, do primeiro quarto do século XIII, com interior escuro de pedra nua, lápides esculpidas no chão e os tímpanos trabalhados por Momik com uma Virgem com o Menino e um Cristo em majestade.
- Gavit de Surb Karapet O pórtico adossado à igreja principal, com abóbada de yazik (nervuras cruzadas típicas armênias) e capitéis talhados com cabeças humanas e animais; está semi-arruinado, mas pode-se entrar.
- Capela de São Gregório Pequena construção funerária do século XIII encostada ao lado norte de Surb Karapet, com a tumba do príncipe Smbat Orbelian e um leão-dragão talhado sobre a laje.
- Cânion de Amaghu O barranco que rodeia o mosteiro merece um passeio curto: a rocha muda de cor conforme a hora e há um mirante na curva de acesso com vistas de cima para o conjunto.
Galeria de fotos








Como chegar
O Mosteiro de Noravank fica a cerca de 122 km ao sul de Erevan, perto do vilarejo de Areni, na região de Vayots Dzor. Não há transporte público até o mosteiro: as marshrutkas que vão de Erevan a Yeghegnadzor ou Goris param na estrada M-2, a 8 km do recinto, e de lá é necessário caminhar ou pegar um táxi. O habitual é alugar um carro ou contratar um táxi a partir de Erevan (cerca de duas horas, entre 20.000 e 30.000 drams ida e volta, 45-70 EUR). Muitos viajantes combinam a visita no mesmo dia com a caverna de Areni-1 e as adegas de Areni.
Melhor época para visitar
Abril e maio têm as papoilas silvestres nos campos na entrada do cânion e temperaturas entre 15 e 22 graus. Outubro e novembro funcionam muito bem: a rocha do cânion de Amaghu ganha tons mais quentes com a luz baixa e há menos ônibus. O verão é seco e quente no cânion, com máximas de 35 graus ao meio-dia e quase sem sombra dentro do recinto. O inverno pode deixar neve no caminho de acesso e alguns dias o trecho a partir da M-2 fica cortado. Para a foto com a escada iluminada, ir depois das quatro da tarde.
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Foto: Artur Adilkhanian / Unsplash · Unsplash License