Mosteiro armênio do século XII na beira do cânion do rio Qasagh em Aragatsotn: igreja de três naves, gavit medieval e khachkars sem sinalização.

Localização no Cáucaso

Descrição

Ao chegar ao Mosteiro de Hovhannavank, o que primeiro chama a atenção não é a igreja, mas a vertigem: o complexo assenta na beira de um cânion de paredes verticais sobre o rio Qasagh, que ressoa lá embaixo entre pedras mesmo que não seja visível de cima. A pedra cinza escura do tuff vulcânico com que os muros foram construídos absorve a luz da manhã de forma densa, quase pesada, e nos dias de neblina baixa o mosteiro parece flutuar sobre o nada.

O recinto é relativamente pequeno e não está superlotado. A Igreja de São João tem três naves separadas por colunas, um gavit adossado à frente — o nártex com cúpula própria característico da arquitetura armênia medieval — e jachkares de pedra que surgem entre a erva sem qualquer sinalização. Os monges que passam ocasionalmente costumam não se dirigir aos visitantes, o que mantém o lugar numa quietude pouco habitual. Comparado com o Mosteiro de Saghmosavank, a poucos quilômetros, Hovhannavank recebe menos visitantes e isso se nota.

Não há loja de souvenirs nem cafeteria dentro do recinto. Aos fins de semana de verão, moradores do vilarejo de Ohanavan — ao pé do cânion — vendem frutas e lavash perto do estacionamento. A estrada desde Aparan tem alguns buracos que convém levar em conta. Entrada gratuita.

História

O Mosteiro de Hovhannavank foi fundado no século XII e ampliado com o gavit no início do século XIII, durante o período de relativa estabilidade que a Armênia viveu sob os príncipes Zakarian. O nome faz referência a São João BatistaHovhannes em armênio —, a quem a igreja maior é dedicada. Como grande parte do patrimônio da região de Aragatsotn, sofreu danos durante as invasões mongóis do século XIII, mas foi reconstruído e manteve sua atividade religiosa durante séculos. A comunidade monástica atual é reduzida e o complexo está sob proteção estatal armênia.

O que ver e fazer

  • Igreja de São João — S. Hovhannes (século XII) A nave central conserva restos de afrescos muito deteriorados, mas visíveis em alguns trechos dos muros. É preciso esperar que os olhos se adaptem à penumbra: a luz entra apenas por janelas estreitas.
  • Gavit adossado (século XIII) Um dos gavits melhor conservados da região de Aragatsotn. As trompas de pedra nos cantos da cúpula e os relevos vegetais dos capitéis merecem atenção detida.
  • Jachkares do pátio Cruzes de pedra medievais dispersas pelo recinto, algumas semienterradas, sem sinalização. É comum encontrá-las sem qualquer informação: parte do caráter do lugar.
  • Mirante do cânion do Qasagh A borda norte do recinto oferece vistas para o cânion do rio Qasagh. Daqui se entende a lógica defensiva da posição do mosteiro. Sem proteção na borda.
  • Vilarejo de Ohanavan A poucos minutos de carro, o vilarejo conserva casas de pedra vulcânica e um ritmo cotidiano sem turistificação. Vale a pena dar uma volta rápida.

Galeria de fotos

Vista exterior do Mosteiro de Hovhannavank sobre o cânion do QasaghGavit medieval do Mosteiro de Hovhannavank, ArmêniaIgreja de São João do Mosteiro de Hovhannavank em AragatsotnDetalhe de jachkar no pátio do Mosteiro de Hovhannavank

Como chegar

O Mosteiro de Hovhannavank fica a cerca de 75 km ao norte de Erevan, perto da cidade de Aparan. Não há transporte público direto; o mais prático é alugar um carro ou contratar um táxi por dia desde Erevan. Em combinação com o Mosteiro de Saghmosavank — a cerca de 8 km a sudoeste — é possível cobrir tudo em uma excursão de meio dia. De Erevan, a estrada M3 passa por Aparan; de lá há sinalização até o mosteiro.

Melhor época para visitar

Maio e junho são os melhores meses: a vegetação do cânion do Qasagh está verde e as temperaturas oscilam entre 15 e 22 °C. Setembro e outubro também são bons, com luz mais dourada e menos visitantes do que no verão. Julho e agosto são quentes e o Mosteiro de Hovhannavank recebe mais grupos organizados. No inverno pode haver neve e a estrada de descida ao cânion pode ficar gelada; em alguns anos o acesso fica fechado.

Foto: Emma YSU · CC BY-SA 4.0