Região subtropical do oeste da Geórgia com florestas úmidas, culinária mais condimentada que o resto do país e a fronteira do rio Inguri com a Abcásia.

Localização no Cáucaso

Descrição

MingreliaSamegrelo em georgiano— tem uma identidade própria que se percebe antes mesmo de chegar: na rádio local toca o megreliano, um idioma diferente do georgiano que as pessoas falam em casa e no mercado, embora não o escrevam. A capital regional, Zugdidi, é uma cidade de médio porte onde o ritmo é mais tranquilo do que em Tbilisi e onde o bazar cheira a pimento vermelho seco, noz moída e queijo suluguni recém-cortado.

A gastronomia é o argumento mais sólido para vir. Os mingrelios têm fama na Geórgia de cozinhar com mais alho e mais especiarias do que qualquer outro canto do país: o ghomi —uma polenta de milho espessa servida com suluguni derretido que se desfaz ao mexer— aparece em quase todas as mesas. O chakhokhbili de frango leva aqui mais pimento vermelho do que em Kartli ou em Kakheti, e o elarji, uma variante mais elástica do ghomi com queijo integrado, é difícil de encontrar fora da região.

A paisagem muda rapidamente: desde as planícies costeiras úmidas perto de Poti e do lago Paliastomi, com vegetação que lembra um trópico temperado, até os primeiros contrafortes do Grande Cáucaso ao norte, onde os vales se estreitam e as aldeias tornam-se mais isoladas. Ao fundo, em direção ao norte, o rio Inguri marca uma fronteira que não aparece em todos os mapas mas que as pessoas daqui conhecem bem: é a linha de facto com a Abcásia, e nas aldeias próximas vivem desde os anos noventa milhares de deslocados internos que nunca puderam voltar às suas casas.

História

Durante a Idade Média, Mingrelia foi o principado de Samegrelo, governado durante séculos pela família Dadiani. Nos séculos XVII e XVIII, os Dadiani acumularam influência e construíram palácios e fortalezas em vários pontos da região, incluindo o complexo de Zugdidi. A incorporação ao Império Russo no século XIX significou o fim formal do principado, embora a identidade mingreliana —com a sua língua própria, o megreliano— resistisse à assimilação. Nos anos 1990, o conflito armado com a Abcásia deixou a Mingrelia como principal zona receptora de deslocados internos; algumas estimativas falam de mais de duzentas mil pessoas. Essa ferida continua visível nas aldeias próximas ao rio Inguri.

O que ver e fazer

  • Palácio dos Dadiani, Zugdidi Residência palaciana do século XIX rodeada de jardins com árvores centenárias. O museu interior conserva coleções de armas, trajes regionais e, segundo a tradição familiar, uma máscara mortuária de Napoleão Bonaparte adquirida através dos Murat. Entrada aproximada: 5 GEL (menos de 2 EUR). Abre de terça a domingo.
  • Parque Nacional de Kolkheti Reserva de floresta subtropical húmida que rodeia o lago Paliastomi perto de Poti. É o território da antiga Cólquida dos mitos gregos. Há rotas de barco pelos canais entre a vegetação e podem-se ver lontras, cormorões e diversas aves migratórias. Melhor visitá-lo em maio-junho ou em setembro.
  • Mosteiro de Khoni Complexo medieval a poucos quilómetros de Zugdidi, entre vegetação densa que no verão mal deixa passar a luz. Funciona como mosteiro ativo; convém ir fora dos horários de ofício para não interromper.
  • Mercado central de Zugdidi O bazar mais animado da região: queijos suluguni em diferentes graus de maturação, especiarias em sacos sem etiqueta, figos frescos na época e churchkhela pendurada em fiadas. É melhor ir de manhã cedo.
  • Rio Inguri e a ponte fronteiriça Da estrada que vai para o norte vê-se a ponte sobre o Inguri, limite de facto com a Abcásia. Não é uma atração turística convencional, mas o contraste entre a vida quotidiana na margem sul e a linha invisível do outro lado merece alguns minutos de atenção.

Galeria de fotos

Como chegar

Zugdidi fica a cerca de 320 km a oeste de Tbilisi pela autoestrada E60; de carro são entre 3,5 e 4 horas. Há comboios diários de Tbilisi (cerca de 5-6 horas) e marshrutkas frequentes de Kutaisi (2 horas) e de Batumi (cerca de 2,5 horas para o norte). O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Kutaisi; de lá, marshrutka ou táxi até Zugdidi.

Melhor época para visitar

Mingrelia tem clima subtropical húmido: chove durante todo o ano e a vegetação nunca seca de todo. O verão (julho-agosto) é quente e húmido, com temperaturas de 28-32 °C. Para visitar o Parque Nacional de Kolkheti e percorrer a região com mais conforto, maio-junho e setembro oferecem melhor equilíbrio entre calor e chuva. O inverno é suave no vale —raramente desce abaixo de zero— e a região fica muito tranquila.