Dezesseis pilares de concreto de 35 m junto ao reservatório de Tbilisi, cobertos de relevos que narram a história da Geórgia desde suas origens até o século XX.

Localização no Cáucaso

Descrição

A Crônica da Geórgia se ergue em uma colina pelada nos arredores de Tbilisi, junto à margem do reservatório de Tbilisi. A escala não se entende da estrada: é preciso descer do carro e caminhar até a base dos pilares para que o tamanho impressione de verdade. Dezesseis colunas de concreto de cerca de 35 metros de altura — mais altas do que um edifício de dez andares — se erguem em duas fileiras, cada uma coberta de relevos com figuras de reis, santos, guerreiros e cenas bíblicas. Não há bilheteria, não há placa explicativa, não há guia. O vento que sobe do reservatório e o som dos carros na estrada de Mtskheta são a única trilha sonora.

Os relevos são densos e bem talhados. Reconhecem-se com relativa facilidade figuras de santa Nino, evangelizadora da Geórgia, do rei medieval David o Construtor, da rainha Tamar e de são Jorge a cavalo. A parte superior de algumas colunas termina em cruzes ortodoxas. O concreto envelheceu com dignidade: há líquens cinzas e esverdeados nas fendas, manchas de umidade e, nas tardes de verão, uma luz lateral que percorre os relevos e dá volume a cada figura.

O acesso tem buracos e o entorno imediato está descuidado, sem lixeiras nem bancos. Dito isso, para quem tem interesse na arte monumental soviética tardia — ou simplesmente quer sair dos circuitos habituais de Tbilisi — merece uma parada de cerca de trinta minutos. A entrada é gratuita e o acesso é livre a qualquer hora.

História

A Crônica da Geórgia foi concebida e financiada inteiramente pelo artista georgiano Zurab Tsereteli, conhecido também por monumentos em Moscou, Nova York e outras cidades. Tsereteli doou a obra ao Estado georgiano. A construção começou na década de 1980, durante o período soviético tardio, mas a dissolução da URSS em 1991 interrompeu o projeto antes de sua conclusão; os pilares foram concluídos apenas parcialmente em relação ao design original. O monumento não tem inauguração oficial documentada e continua tecnicamente inacabado. O estilo grandiloquente de Tsereteli gera opiniões divididas tanto na Geórgia quanto nos países onde tem obra, mas a Crônica ganhou ao longo dos anos reconhecimento como marco visual singular nos arredores de Tbilisi.

O que ver e fazer

  • Pilares norte — relevos da evangelização Os mais próximos do acesso pela estrada. Os relevos nessa área se concentram na chegada do cristianismo à Geórgia: figuras de santa Nino, cenas de batismos e cruzes de videira, símbolo do país.
  • Pilares sul — reis medievais Aqui estão as representações dos monarcas mais célebres da história georgiana, entre eles a rainha Tamar e o rei David o Construtor. Os relevos são mais narrativos e reconhecíveis para quem conhece a história medieval do país.
  • Relevos do século XX Nos trechos superiores de alguns pilares aparecem referências a eventos históricos mais recentes. São os mais difíceis de interpretar sem contexto, e também os que mais debate geram entre os estudiosos da obra.
  • Vista sobre o reservatório de Tbilisi Da base dos pilares vê-se o reservatório de Tbilisi ao fundo e a silhueta da cidade no horizonte. Ao entardecer, a luz lateral percorre os relevos de uma forma que não acontece ao meio-dia.
  • Detalhe do concreto envelhecido A passagem do tempo deu ao conjunto uma textura que não tinha na origem: líquens, manchas de chuva e vegetação espontânea entre os blocos. Vale a pena se aproximar a menos de um metro para ver o talhe.

Galeria de fotos

Pilares da Crônica da Geórgia junto ao reservatório de TbilisiRelevos de concreto nos pilares da Crônica da GeórgiaVista panorâmica da Crônica da Geórgia ao entardecer

Como chegar

O monumento fica a cerca de 10 km a noroeste do centro de Tbilisi, junto ao reservatório de Tbilisi. Não há transporte público direto. O mais prático é um táxi ou Bolt do centro: cerca de 15-20 minutos e entre 15 e 20 lari (4-5 €). Pode ser combinado com uma visita ao mosteiro de Jvari ou ao centro histórico de Mtskheta, que fica na mesma direção geral ao sair da cidade pelo norte.

Melhor época para visitar

O acesso é livre o ano todo. No verão a colina não tem sombra e o calor ao meio-dia é considerável; é melhor ir antes das 9h ou a partir das 18h, quando a luz lateral também favorece a fotografia dos relevos. A primavera e o outono oferecem temperatura agradável e luz mais suave. No inverno o reservatório de Tbilisi pode aparecer envolto em névoa, o que dá ao conjunto uma atmosfera particular, embora reduza as vistas.

Mais informações

Foto: Alex Slav · Unsplash License